terça-feira, 20 de novembro de 2018

Fausts Alptraum

"A menina bocejou e olhou para o túmulo, quase desejando poder trocar de lugar com a pessoa que descansava dentro."


Olá corpses.
Fausts Alptraum é definitivamente um jogo que encontrei ao acaso e que posteriormente me cativou em grande escala. Sua beleza macabra atrai diversos olhares e seu estilo de gráfico chama bastante atenção, e realmente não é à toa. Não apenas o horror é manifestado durante a narrativa, recorrendo diversas vezes a elementos da literatura clássica assim como a questões infantis.

Fausts Alptraum é um jogo de horror, terror, aventura e puzzles feito no RPG Maker XP pelo grupo LabORat Studio. O jogo é baseado na obra literária de Goethe: FAUSTO. Apenas disponível em inglês, japonês e tailandês, possuindo no total 4 finais e com uma campanha de duração de mais de 4 horas. Site Oficial do jogo.




 
 
⟪ Outros personagens aparecerão conforme o desenvolvimento do enredo.
Porém, no momento, encontram-se como uma maneira de spoiler.



Embora baseado na obra de Goethe, o jogo não tem qualquer ligação com esta em relação a história original em sentido de enredo, e é importante ressaltar que apesar de termos os mesmos personagens, o jogo apresenta uma releitura deles diferente do livro.

      "Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio, baseada no médico, mago e alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540)..."
■Linguagem e Narrativa■


A linguagem de narrativa de Fausts Alptraum é extremamente poética. Em vários momentos, eu, como uma leitora de inglês mediana, encontrei dificuldades em entender muitos termos, não apenas por causa de um vocabulário extenso de palavras utilizadas, mas também devido a que alguns raciocínios passados, principalmente em leituras nas bibliotecas, que mostravam-se surpreendentemente persuasivos e alguns até realmente tirados de fontes verdadeiras (como é citado o pensamento de Freud sobre os sonhos). 

Ainda sim, este não torna-se um ponto negativo do jogo, pelo contrário, isto incentiva aos jogadores a procurar por novas palavras, abrindo o leque de seu vocabulário, e aprender sobre novos conceitos, como de religião, por exemplo. Então, sim ele demanda um pouco de pesquisa da parte dos espectadores, não apenas por conta da linguagem, porém devido a conteúdos desconhecidos para a maioria. E tenho que admitir que os criadores não hesitaram em nenhum momento em preencher a narrativa de referências sobre livros ('Pseudomonarchia Daemonum''The Goetia: The Lesser Key of Solomon' etc) e até mesmo os clássicos contos de fadas.

A escolha de narrativa foi uma ideia, no mínimo, única. Optar por um narrador-observador na terceira pessoa, típico de escrita de livros, é uma seleção que tornou todo o enredo muito mais poético, realmente transmitindo a sensação de estar lendo uma obra feita de papel. Com a preferência de narração, também, houve (como anteriormente citado) uma liberdade maior para os criadores abusarem da linguagem escolhida. Ainda que diferente do trabalho original de Goethe, seu palavreado é tão complexo quanto.



■Gráfico e Mecânicas■

O estilo de gráfico é o semblante perfeito que expressa a unicidade de Fausts Alptraum. O design das cutscenes, além de se assemelhar bastante com o de muitas visuais novels, recorda muito o estilo vitoriano, de meados do século XIX, misturado com a natureza macabra de Tim Burton. É perceptível que a escolha de retratar os cenários delas de maneira simplificada foi não apenas para enfocar mais na imagem dos personagens, dando-lhes uma maior relevância sobre o ambiente, mas também para demonstrar o lado infantil do enredo, que é trabalhado de diversas formas ao longo da jogatina. Já em relação a disposição da configuração do cenário no jogo em si, os objetos são bem detalhados, a decisão de ambientação encaixa bastante com o conceito que os autores queriam transmitir e os espaços variam muito dependendo do momento. Os efeitos gráficos também foram muito bem desenvolvidos (como é o caso de quando a personagem principal passa muito tempo parada, ela começa a cochilar, uma mecânica parecida com a do Sonic).

Já as mecânicas do chocolate e do fósforo foi um ponto que eu não achei muito relevante quando analisamos a obra como um todo. Não eram elementos que realmente agregavam muito em questão de jogatina, na minha opinião. Os itens são coletados conforme a exploração e podem ser usados apenas por uma quantidade determinada de tempo, ademais de poderem ser utilizados até um certo limite. O chocolate aumenta a velocidade de Elizabeth e o fósforo aumenta o campo de visão da personagem. Outro mecanismo que também não complementou o jogo foi os ratos espalhados pelos cenários que deveriam servir para atrapalhar o jogador, e retirar vida da garotinha, porém que no final não significavam muito em relação a nenhum aspecto.



■Sonoplastia e História

A trilha sonora teve sendo pontos fracos e pontos fortes. Todas as músicas são derivadas de composições clássicas, e apesar de desejar que os criadores investissem mais a respeito de compôr as próprias canções para Fausts Alptraum, eu também devo admitir que os solos de piano principalmente de Erik Satie combinaram extremamente e perfeitamente com a atmosfera transmitida, trazendo não apenas um clima de morbidez como também de suspense e mistério quando misturada com todo o contexto do enredo. Além de trazem ainda mais beleza advinda dos clássicos. Agora acerca de algumas outras canções específicas como ''Who's Afraid of the Big, Bad Wolf?'', (ainda que o jogo use o sistema de puzzle por sons, o qual estarei comentando nos seguintes parágrafos) repetem-se diversas vezes durante a jornada e muitas vezes podem deixar o espectador um pouco exausto. [Algumas músicas da sonoplastia].

A história, assim como a sonoplastia, também apresentou seus altos e baixos em questão de desenvolvimento ao decorrer da narrativa. Ainda que a todo momento o jogo goste de relembrar o jogador sobre o mistério na parte, principalmente, do enredo, as explicações tornaram-se extremamente vagas e não auxiliaram em nada no entendimento do produto final. A obra ficou tão focada em estética que no final todas as peças (que apresentavam uma perspectiva bem promissora) foram jogadas ao vento, obrigando os próprios criadores a explicar o contexto no encerramento de Fausts Alptraum. Não foi uma decisão que eu, particularmente, gostei. Uma poesia pode até ser subjetiva, mas mesmo que eles tentem se espelhar na obra original, ele continua sendo um jogo e precisa no mínimo de explicações plausíveis para certas ações dos personagens. O ritmo da narração estava suave até metade da produção, e depois os produtores acabaram acelerando demais as informações.

Basicamente, o enredo de Fausts Alptraum tem potencial, mas um potencial que não é realmente explorado de maneira correta no desenrolar da trama.



■Puzzles■

Porém, nem tudo são águas amargas. O desenrolar durante a produção das personalidades dos personagens foi marcante, mesmo que não necessariamente criemos um vínculo com eles. No entanto, muitos deles não receberam uma participação decididamente relevante com relação a própria história. A trama verdadeira (o que realmente aconteceu antes do fatos que acontecem no casarão) é praticamente contada inteira através de anotações espalhadas no mapa e podem passar facilmente despercebidas por jogadores não muito atentos. Outro fato interessante é que Fausts Alptraum é dividido em quatro capítulos (cada qual com um tema diferente, baseados em contos de fadas) e conforme a narrativa se desenvolve, eles não inevitavelmente precisam ser jogados em ordem cronológica. Mesmo sem terminar o primeiro capítulo, você pode ir para o segundo e assim por diante.

Parando para analisar os puzzles do jogo, apenas posso descrevê-los em uma palavra: criativos. Nunca havia presenciado uma variedade tão imensa de puzzles, e ainda por cima envolvendo conhecimentos de diversas áreas (até mesmo um pouco de matemática o jogador experimenta). Eles possuem diversas dificuldades, porém nenhum se demonstra impossível de resolver (ainda que alguns delimitam um bom tempo para serem terminados). E mesmo que não manifestam uma grande relevância para a história, a grande maioria é uma ótima oportunidade para passar o tempo.

Outra característica do jogo é sempre, em algum momento da narrativa, citar uma pequena parte da obra original, reforçando novamente a poeticidade de Fausts Alptraum.




Perdoem-me novamente por uma postagem tão extensa, porém Fausts Alptraum é um jogo que eu poderia passar páginas e mais páginas discorrendo sobre. E também é uma obra que apresenta muitos aspectos que podem ser comentados. Ainda que encontre algumas falhas principalmente em relação ao enredo não detalhadamente planejado, é um tipo de jogo que consegue cativar o jogador com muito mais do que apenas a história, somando sonoplastia com puzzles e gráficos. Inicialmente a linguagem pode ser um obstáculo bem meticuloso, mas pode ser facilmente ultrapassado com paciência e pesquisa. 

Não posso omitir que no início de jogatina eu realmente esperava um pouco mais da finalização, que deixou bastante a desejar, no entanto Fausts Alptraum conseguiu com sua atmosfera cativante entrar para a minha pequena lista de jogos favoritos no RPG Maker. Ele oferece diversos recursos abrangendo várias áreas do conhecimento, tornando-se um entretenimento ao mesmo tempo que é informativo. 

*Todas as imagens pertencem ao jogo.


~Rina

11 comentários:

  1. Hey,primeira a comentar! Ainda não li toda a postagem mas lerei depois. O jogo chamou um pouco minha atenção mas eu ainda sou iniciante em inglês então acho que não vou jogar.
    A (o) Neru faz umas músicas tão legais XD

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  2. Wow, wow, wow.
    Eu já me sinto cativada pela arte do jogo, definitivamente é muito bonito. E ainda é muito interessante logo na sinopse do jogo. É uma pena que eu não entenda muito o Inglês (fiz curso por 2 anos, mas não sou expert, na realidade sou bugada no inglês qq', hasjahs), porém jogarei mesmo assim, nessa língua mesmo, afinal não podemos perder oportunidades de achar um jogo tão cativante quanto este <3
    Aaah, ótima postagem! Estava ansiosa por mais uma postagem dessas, admito. <33
    Obrigada por alegrar meu dia com esta postagem divosa, aa sz
    kiss~

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Oh, parece ser o tipo de jogo que lhe cativa. Eu realmente adorei a sugestão e gostaria tanto de poder jogá-lo, se não fosse pelo o fato de não saber as linguagens citadas.

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  5. Obrigado pela recomendação,já vou deixar anotado na minha lista...

    Uma dúvida que eu tenho,algum dia vocês vão continuar postando "Brincadeiras na Vida Real"!?
    Sem problemas se não puderem,é apenas uma dúvida que eu tenho...

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  6. não entendo muito Inglês...
    se não eu jogava

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  7. Que post tão bem escrito e estruturado! Lembro que comecei a jogá -lo em janeiro, mas mesmo tendo um inglês intermediario, pelo vocabulário mais rebuscado bem como por ter achado um tanto quanto maçante, acabei largando o game logo no começo da exploração.

    O tema de pacto com demônio sempre me atraiu MUITO e o jogo tem um clima misterioso bem atraente (é quem sabe eu tenha um crush no demônio da história? Rsrs) então vou dar mais uma chance nas férias, ou, ao menos conferir o que acontece no YouTube...

    Enfim, obrigada por mais um texto incrível, Rina ♤

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  8. Quando eu fui ler o nome do post, eu li Faustão Alptraum -_-

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  9. Eu ja joguei mas acabei parando por falta de tempo haha e o ingles desse jogo é usado palavras bem complicadas então o google tradutor é seu amigo.

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  10. Tradução escrita do jogo no meu blog para acompanhar enquanto joga

    https://rescreventudo.blogspot.com/2018/11/fausts-alptraum-traducao-parte-1.html

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