segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sugestão, Expectativa, Susto e Gore: Arquitetando o Diabólico


"...e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido."



Medo. Nas palavras de H.P. Lovecraft "A emoção mais forte e mais antiga da humanidade...". Um mecanismo de defesa bastante primitivo, que alertava nossos antepassados sobre feras selvagens, precipícios altíssimos, e, é claro, o desconhecido. Uma floresta escura, um sujeito suspeito, uma sensação de que algo está errado... O simples fato de você não lembrar de fazer algo que está estampado em fotos e álbuns de família já gera uma sensação de estranheza.


A indústria do entretenimento soube usar e abusar muito bem desse mecanismo tão tribal e essencial para a humanidade. No conforto de uma poltrona (ou de nossas casas), consumimos obras que buscam atiçar nosso imaginário e nossa percepção visual. E esse é justamente o ponto: a diferença do medo pela visão de algo assustador e pela sugestão.


Majoritariamente, as obras atualmente buscam o medo pelo visual, com monstros, assassinos e demônios saltando na tela. Aliado a isso, algumas obras usam do gore, caracterizado pelo uso de cenas extremamente violentas, gerando repulsa e medo exacerbado por um curto período, ou, se a cena (ou sequencia de) for muito marcante, pode amedrontar o espectador pelo resto da vida.

Outras obras porém, buscam o medo pela sugestão, implicando algo errado, algo suspeito. Um barulho aqui, uma presença lá... Imaginação? Talvez... Ou será algo a mais? Algo perigoso? Tudo depende de você.

Tudo começa com a criação da atmosfera: Como já foi abordado anteriormente, tudo depende do grau de imersão que a atmosfera consegue induzir no consumidor, e o quão disposto o consumidor está de aventurar-se nesse novo universo, um problema sério que temos em relação a filmes baseados em sugestão.

Filmes baseados em sugestão exigem mais da imersão do espectador e como o próprio nome sugere, o quão disposto o espectador esta de ser sugestionado por uma ideia, o que não funciona muito bem para o grande público no geral, já acostumados com a formula hollywoodiana de fazer terror.


Naturalmente, a maneira mais fácil de assustar alguém é pelo visual e pelos famigerados "jumpscares". Ir do completo silêncio para algo alto é de longe, a maneira mais fácil de se assustar alguém. Mas como tudo na vida, ou você faz as coisas pelo caminho fácil e rápido, ou você se esforça e faz as coisas direito.

O fato de nos assustarmos com "jumpscares" é algo biológico que resumidamente, é um sistema de defesa do nosso cérebro que nos faz entra em alerta com tanta eletricidade entrando pelos nossos ouvidos. Una isso com alguma criatura assustadora e gore e você já tem um filme genérico de terror.

Isso quer dizer que "jumpscares" não valem a pena? De maneira alguma. Se o jumpscare vir acompanhado de um "build up" do mesmo, ele valerá a pena. Prepara o espectador para o que virá, ou "build up to payoff", ou simplesmente preparação e recompensa.


O terror visual então não vale a pena também? De maneira alguma. O que acontece se você têm um ótimo monstro: Assustador, grotesco, nojento e repulsivo, mas o esbanja o tempo todo na sua obra? Quanto mais você expõe o espectador ao seu monstro, mais habituado ele estará. Deixe que o mistério e a sugestão trabalhem ao seu favor, use e abuse da imaginação do leitor.

Por exemplo, se eu te disser: "Um cara chamado Paulo acabou de se mudar para cá. Ele já foi preso e gosta muito de crianças". Somente com isso, você já conclui coisas... Apesar de não haver nenhuma conclusão na frase. Esse é o poder de uma sugestão.

19 comentários:

  1. O medo e o terror é uma forma de arte mal compreendida, pois ajudam a criar.

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  2. Cataca que texto grande!!! Preguiça de ler

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  3. bem que oi blog poderia da umas recomendações de livros, filmes e mangá de terror :)

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  4. Que post incrível! Eu concordo muito que o medo sem duvida é uma arte Mal compreendida pelos outros que precisa sair do clichês de sempre e ser aprofundar muito mais no potencial "medo" que ela proporciona.

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    1. Não necessariamente. Um cliche bem usado sempre é bem vindo!

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  5. Esse post foi ÓTIMO Bell. São todos esse fatores que me fizeram ficar sem dormir por uma semana porque li Zekkyu Gakkyu!:)

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    1. Wow. Obrigado Guilia! Zekkyu Gakkyu é bizarro mesmo...

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    2. Faz com que a pessoa fique paranoica com o mundo, no meu caso eu pedi pra minha irmã mais nova ficar olhando de baixo da minha cama por essa semana.

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