quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A Bird Story

Para uma mente infante, poucas palavras bastam.


       A Bird Story é um jogo feito em RPG Maker XP pela Freebird Games, lançado em 5 de novembro de 2014 e dura por volta de 60 minutos. Trata-se de uma pequena história que serve como ligação entre o famoso título da equipe chamado To the Moon e seu novo jogo que será lançado em 2017, Finding Paradise (mas o criador Kan Gao afirma que não é necessário ter finalizado este jogo para entender a continuação de To the Moon).

Arte feita por Bill (link)
       Seguimos a história de um garoto sem nome que, apesar de sua forte imaginação, vive uma rotina solitária e introspectiva, sem amigos na escola ou mesmo a presença de seus pais. Ao menos até ele passar a cuidar de um pássaro ferido e se consolidar uma amizade marcante entre os dois. O fator mais marcante de A Bird Story é sua narrativa ‒ ou melhor, a falta dela. Sim; com exceção do menu de início e os créditos, a proposta do jogo é ver e acompanhar a história sem ela envolver nenhum tipo de diálogo. Mesmo os tutoriais são realizados com imagens indicando o que você deve fazer para avançar.

       Confesso que mesmo ciente de que esta não é a primeira história que a equipe faz sem o uso de diálogos (o primeiro foi Do You Remember My Lullaby?), fiquei em dúvida se eles conseguiriam passar a mensagem sem problema algum, afinal, tal como um teatro mudo, é preciso muita atenção nos detalhes e estes devem ser executados perfeitamente para que o público entenda o que está sendo mostrado. Mas ainda bem, a Freebird Games conseguiu me surpreender nesse quesito.

       O resultado foi uma história tocante em que ao invés de uma sequência lógica para a progressão do enredo, somos convidados a experimentar transições surreais e passagens abstratas, fruto da visão imaginativa de nosso protagonista. E tudo com uma orientação intuitiva, sem causar grandes dificuldades na realização.

       O único problema que parece ser uma crítica comum ao jogo é seu ritmo. Ele não é para pessoas que estão acostumadas com algo dinâmico ‒ tendo inclusive um salvamento automático em forma de cenas que, embora foi a forma da equipe excluir o uso do menu habitual do RPG Maker, se você por exemplo parasse no meio do jogo, era obrigado a refazer a cena desde o início. Talvez fosse uma forma de não quebrar a imersão em um mundo tão íntimo que encontramos no jogo, mas atrapalha e desmotiva aqueles que não estão habituados a uma interação mais artística e experimental.

Arte feita por Stayintheglass (link)
         Os gráficos aqui tem o papel fundamental na compreensão da história. Além da gama de reações do protagonista e seu pássaro ‒ quase um ator mirim dentro do que é possível fazer com pixel art ‒ temos cenários que mesmo sendo puramente arte digital, são capazes de encher nossos olhos e tirar nosso fôlego. É quase impossível não parar e admirar a forma que certo mapeamento foi planejado ou sua única ambientação, englobando desde personagens não controláveis em forma de fantasmas e um trabalho de animação em certos momentos que torna tudo mais vivo.

       Sobre sua música, eu não tenho crítica alguma a realizar. Kan Gao é um compositor genial e todas suas melodias nos proporciona uma imersão que nos faz esquecer que o jogo foi feito em um programa bastante conhecido no blog. É sensível, e no caso de A Bird Story, refletem bem todas as cenas; desde uma rotina sem muitas companhias no início à animação e inocência do garoto finalmente ter alguém para dividir seus momentos tensos e felizes ‒ aliado com a incerteza da duração dessa felicidade, uma vez que cuidar de um animal temporariamente (ainda mais sendo uma criança) também tem suas implicações negativas.


       A Bird Story foi um jogo que esperei bastante para jogar desde seu anúncio e certamente não me decepcionou. Com uma história serena, músicas que ao mesmo tempo são marcantes e contribuintes de uma cena maior composta de gráficos bem trabalhados dentro das proporções que o RPG Maker XP suporta, é completamente entendível o porquê do autor comentar em seu Twitter que A Bird Story deu tanto ou mais trabalho que o To the Moon. Foi um trabalho extremamente artístico e com um final que me deixou extremamente emotiva ao relembrar que aquele garoto, na verdade, é o próximo cliente da Sigmund Corporation.

       É uma história que não vemos todo dia e mesmo que ele não afete o entendimento de Finding Paradise, vale a pena você comprar e jogar até o final. Será uma experiência única, mas conhecida, uma vez que ele lida com um mundo que há muito tempo esquecemos: O íntimo de uma mente infante.

       A capa e a terceira imagem são provenientes de artes/capturas de tela da própria Freebird Games, logo, os devidos créditos vão para a equipe.

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- Neil

21 comentários:

  1. Nunca havia me interessado pelo jogo, na verdade, nunca fui atrás para saber o enredo. Muito obrigado por mudar minha concepção, adorei à história, espero jogar em breve!

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    1. Oh! Fico feliz de ter mudado sua concepção sobre o jogo. Ele é lindo e merece ser jogado <3

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  2. omg, eu sabia que um dia ia sair aqui esse game maravilhoso, realmente tem uma história maravilhosa *-*'

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    1. Sim! Estava planejado há meses, mas só consegui jogá-lo depois de muito tempo de lançado, graças ao Garry. E concordo sobre a história maravilhosa ~

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  3. Eu tinha visto o Vídeo do canal do alan e eu lembrei agora dele falando:
    - Eu não vou chorar nesse game
    Dai eu fiquei com cara de quem acreditava, só que não. No final ele chorou do mesmo modo que em to the moon.....não foi dessa vez que ele conseguiu dar uma de machão.

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    1. Eu pensei que por ser um mero spin-off, eu também não ia me emocionar. Ledo engano. O final me deu ~aquele susto~ e ainda bem que as coisas não ficaram daquele jeito.

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    2. Eu fiquei na bad pra caramba depois desse jogo. Kan Gao sabe mesmo como matar as pessoas de tanto chorarem ;;

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    3. Sim, sim. As histórias são bem dramáticas e bonitas.

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  4. Neil,amiga.Quero saber de algo,pergunte a charlotte se o pocket mirror vai demorar pra lançar aqui no blog.Eu quero tanto jogar esse game. q-q

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    1. Boatos de que cobrar tradução diminue a porcentagem dele. -n

      Agora sendo sério, eu sei que vocês querem muito jogar Pocket Mirror, mas tenham dó da Charlotte. Ela está varando noites para traduzir e depois a gente vai ter que fazer uma revisão monstruosa dado a quantidade de conteúdo que o jogo tem.

      Queremos muito que este jogo saia para vocês, mas não adianta fazermos isso rápido e deixar muitos erros.

      Espere e acredite, valerá a pena. Por que não aproveita e vê as demais postagens do blog?

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    2. Tabom,vou ver. Mas vc pode me dizer,como coloca fotinha. ;-;

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    3. Do lado do seu nick. :vv

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    4. Ah. Se você ao invés de comentar como um anônimo, usar sua conta blogger/google, vai aparecer o avatar utilizado nestas contas.

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  5. Tenho ele baixado de maneira ilegal (q pessimo dizer isso) e enrolando pra jogar... Olha não vou mais enrolar por mtu tempo.

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    1. Certo... Não esqueça de futuramente comprar a versão paga, ou ao menos a OST. Na steam é extremamente barato e você ajuda a equipe com os custos de produzir um jogo.

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    2. Eu fiz isso com To the Moon.
      Mesmo tendo jogado a versão pirata, gostei tanto do jogo que resolvi comprá-lo na steam, só pra apoiar o pessoal >u<

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    3. a grana tá curta agr,mas um dia vou comprar sim

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    4. Sim, sim Lucy. Eu recomendo para vocês que sempre que vocês consumirem algo pago, depois fazer algum tipo de contribuição no futuro, mesmo que singelo.

      Sobre a grana curta, tudo bem. Mas fique de olho nas promoções da Steam, às vezes o preço é de cair o queixo xD

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  6. Respostas
    1. Sim. Ou você pode ver o Gameplay dele no youtube (Tem links no final da postagem).

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