segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

The Last Door: Season 2

Eles estão vindo.

The Last Door: Season 2 é um jogo point-and-click episódico de terror, suspense e mistério desenvolvido por The Game Kitchen. É a continuação de The Last Door, cuja análise pode ser lida aqui. A edição de colecionador foi publicada por Phoenix Online Studios em 2016 para Android, Microsoft Windows, Linux e Mac. Posteriormente, o jogo também foi lançado para Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch. 

Observações

-As línguas disponíveis oficialmente na edição de colecionador da segunda temporada são inglês, espanhol, italiano, francês, alemão, polaco e português.

-A edição que eu joguei e que será analisada é a edição de colecionador para PC.

♧ Sinopse ♧

Partindo em busca de seu cliente que misteriosamente desapareceu, Wakefield logo é levado a uma assustadora teia de conhecimento proibido, loucura e uma conspiração, escondendo tudo, muito mais profunda do que ele jamais poderia imaginar. Conforme sua busca o leva além da Inglaterra, ele encontrará seu cliente desaparecido? Ou meramente perceberá que ele também está prestes a se perder na busca pela Última Porta?

♧ Análise ♧

Olá, corpses! Logo digo que, infelizmente, The Last Door: Season 2 é um tanto inferior ao seu antecedente. Mas primeiramente, vamos falar de alguns aspectos positivos. Vide o primeiro capítulo, que é perfeito em todos os sentidos. Divertido, inteligente, bem apresentado, intrigante e aterrorizante; ele é tudo que eu poderia pedir do jogo, adicionando assim uma grande expectativa para os capítulos a seguir. Todavia essa expectativa acabou sendo extremamente frustrada.

O jogo permanece com a mesma fórmula: puzzles point-and-click. Dessa vez, os puzzles foram mais inconsistentes, com alguns deixando a desejar em qualidade. Mas The Last Door: Season 2 apresenta uma mecânica nova e interessante. Cada capítulo se passa em diversos cenários diferentes, entre os quais o jogador deve se transportar frequentemente para adquirir novos itens e avançar em seus objetivos. Tal mecânica adiciona mais variedade aos capítulos, dando a possibilidade de lugares distintos complementarem a história. A monotonia cenográfica do primeiro jogo não era um problema per se, mas creio que a pluralidade de The Last Door: Season 2 é uma qualidade que merece ser aplaudida.

Além disso, embora esta mecânica já estivesse presente no primeiro jogo, há também os chamados “segredos” espalhados pela história. Esses segredos são cenas escondidas, desencadeadas por ações extremamente específicas do jogador em algumas situações. Os segredos acrescentam um espírito de busca à gameplay, enriquecendo a experiência como um todo. Isso, aliado às cenas extras desbloqueadas ao completar o jogo, aprimoram bem sua construção de mundo.

Por outro lado, uma das críticas negativas centrais a serem feitas a The Last Door: Season 2 é a forma com a qual o gênero do terror foi trabalhado de forma geral. Embora o primeiro capítulo seja muito bom, o jogo é inconsistente: depois dele, são raros os momentos em que ele me causou medo de verdade. Na verdade, são tão poucos que posso contá-los nos dedos. Houvera momentos em que era perceptível que o jogo tentava transmitir emoções, mas falhava pelo trabalho insuficiente na construção da atmosfera.

♧ Artes Plásticas e Sonoplastia ♧

O estilo de arte pixelado continua o mesmo, assim como as qualidades provenientes dele. A diferença é que The Last Door: Season 2 é ainda mais bonito que seu antecessor. A melhoria gráfica deixou o jogo mais polido, aprazível, e com desenhos mais complexos e interessantes, ocasionalmente.

Porém, quando se trata da sonoplastia, chegamos a outro de seus defeitos centrais. A trilha sonora é, em sua maior parte, pouco memorável, falhando em criar uma atmosfera que causasse medo ou angústia. Isso me deixou muito confuso, pois a sonoplastia do primeiro jogo era de longe um de seus pontos mais fortes. As músicas foram compostas pelo mesmo musicista, Carlos Viola, mas elas perderam completamente seu sabor. Isso simboliza uma das maiores decepções que tive com o jogo e é um dos principais motivos pela ambientação precária que persistiu durante a maior parte da gameplay.


♧ História ♧

Infelizmente, a história de The Last Door: Season 2 tem bastantes pontos incoerentes e mal aproveitados. Tenho a sensação de que os autores não sabiam como resolver as próprias situações que trouxeram à tona, gerando um resultado decepcionante e confuso.


Atenção!

A partir daqui, começarei a falar sobre o jogo com grandes spoilers.
Caso você não queira ler esta parte, desça até a Conclusão.


Para explicar melhor o que quero dizer, decidi comentar sobre a história e as personagens com mais detalhes. Começando pelo protagonista, John Wakefield, um psiquiatra que tem a grande missão de achar seu amigo Devitt. Wakefield é um personagem que me confunde bastante; seu passado não é bem trabalhado como o de Devitt (que era protagonista do primeiro jogo) e suas motivações não são claras. Na verdade, é o próprio jogador que responde por Wakefield e decide o motivo por ele estar tão empenhado em sua busca, o que me parece uma tentativa em fazer com o que o jogador se sinta inserido na história através do protagonista. Mas se esse for o caso, então foi uma tentativa falha. O resultado é um protagonista pouco trabalhado, desinteressante e sem características próprias. Além disso, eu teria gostado de ver mais dos conhecimentos de Wakefield como psiquiatra, que são usados poucas vezes durante a história.

Por outro lado, também há outro personagem de bastante destaque: Johan Kaufmann, que é amigo de Wakefield. A dinâmica deles é, na verdade, um tanto satisfatória. Claramente eles são bons amigos e se consideram muito como tal, o que torna prazeroso ler os diálogos entre os dois. Embora, infelizmente, isso também não tenha durado tanto, já que Kaufmann morre no início do capítulo 3. Pareceu ser uma tentativa de desenvolver Wakefield como personagem, mas novamente acabou sendo insatisfatório e superficial.

Mas na verdade, o maior problema que tenho com a história é o capítulo final. Nele, finalmente cruzamos “O Véu” que é mencionado diversas vezes durante todo o jogo, o que me deixou com grandes expectativas para o que encontraríamos ao chegar lá. E infelizmente, foi bem decepcionante. É um dos piores capítulos se tratando da ambientação, da construção de terror, e até dos puzzles.

Wakefield, por motivo nenhum, começa a ter lembranças estranhas sobre o passado de Devitt e seus amigos. Essas lembranças foram necessárias para conectar os laços soltos da história, mas acabou sendo uma situação bem forçada e sem sentido. Novamente, o jogo tinha que resolver todos os mistérios que construiu ao longo da jornada de uma só vez, em um único capítulo, o que deixou as coisas confusas e absurdas.

Por fim, a coisa mais insatisfatória de todas foi o final. O jogo tem dois finais, que são determinados por uma escolha do jogador. Meu primeiro problema com essa situação é que, na verdade, essa decisão tem implicâncias muito imprevisíveis e incompreensíveis, o que dá uma falsa sensação de escolha. O jogo não deixa claro o que o protagonista fará a partir de cada decisão, portanto as ações dele podem ser contraditórias com o que o jogador queria realmente fazer na história. E pior, caso você se arrependa do que escolheu e queira ver o outro final, é preciso começar o capítulo inteiro de novo.

Os finais em si são muito decepcionantes também. O objetivo da jornada inteira era encontrar Devitt, e nem isso conseguimos fazer verdadeiramente. Independente da sua escolha, o jogo corta para uma cena final que se resume a um texto explicando o que acontece após a decisão de Wakefield ser tomada. Ou seja, em vez de a obra mostrar ao jogador o que acontece, ela descreve apenas com palavras. Foi uma tática completamente decepcionante, teria sido muito mais satisfatório se o jogador tivesse finalmente encontrado Devitt (como eu queria desde o início) e se fosse mostrado detalhadamente o que se passou entre ele e Wakefield. Sinceramente, foi um dos finais mais insatisfatórios que já vi em um jogo.

♧ Conclusão ♧

Embora The Last Door: Season 2 seja visualmente bem bonito e, na verdade, seja bem detalhado (principalmente quando se trata de sua construção de mundo), infelizmente é insuficiente em diversas áreas. A sonoplastia é fraca, a ambientação não funciona e a maior parte da obra não dá medo. É uma pena; visto que gostei tanto da primeiro temporada. Ainda assim, há qualidades que merecem ser reconhecidas e The Game Kitchen provou ser uma desenvolvedora capaz. Sigo ansioso para que outros jogos virão dela no futuro.

-Yakatsu

4 comentários:

  1. Boa análise, pena que tem os defeitos que falou

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  2. Zero Corpse por gentileza, onde tem a versão com tradução em pt? Na steam pelo menos tem vários idiomas menos pt.

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  3. Realmente deixou a desejar bastante pq o primeiro jogo foi bem emocionante e algo no segundo tava me incomodando e olha só... tu transmitiu realmente oq eu senti jogando esse jogo :/

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