sábado, 9 de março de 2019

Hello Charlotte Episódio 3
【Tradução】

O̸̕͠ ̶̴̀̕͞q̷̴u͠è̛ ҉̡̀p̴̢͞o̴̢d҉̸͏ę̴̀͜͠m̸̀ó҉̨͜͞s̷̶̀͢ ̸̧́f̶̸̨a̵̡̡͘͝z̵̸̨e̴̛r̶̡͢͞,̵̵́͞ ͘͢Ş҉e̸͘͟͠t̀̕h̀͡͞͞?̧͜


Hallo.

       Há quanto tempo, não é verdade? Lembro-me de quando postei sobre o jogo pela primeira vez, e a partir de então, vocês acompanharam nossa doce Charlotte Wiltshire com as traduções de Megazao e postagem de Beuregard. Mas toda aventura tem um fim, não é mesmo? Algum dia sabíamos que teríamos que dar “adeus” para Charlotte e a cada personagem presente no momento que abrimos o jogo. 

       Seja você Seth ou Lilith, está pronto para encarar o fim? Ou melhor dizendo — o começo do fim? E é justamente por este começo, que apesar da tradução continuar por autoria de Megazao, eu retorno para contar para vocês, uma última vez, sobre Hello Charlotte. Mas não se preocupe!

Tudo terminou bem.
Não há motivo para se estar triste.|



       Hello Charlotte Episódio 3: Childhood's End, é um thriller psicológico e surrealista criado por etherane, sendo a terceira (e última parte) da série. Foi lançado em 5 de janeiro de 2018 e tem uma duração de aproximadamente 3 horas. Agora, ganha sua tradução para Português brasileiro por Megazao. Nele, conheceremos as respostas para algumas questões deixadas ao longo dos episódios 1 e 2, assim como revelações surpreendentes, tornando-o indispensável para entender a obra por completo.

       Além dos gêneros citados, a autora define o jogo como uma experiência “não amigável” com o jogador, então tenha isso em mente ao jogar, pois muitas vezes haverão situações que te deixarão desconfortável com as únicas opções que existe. Também vale a lembrança de que o jogo contém menções a suicídio e bastante gore, recomendado certa cautela ao público mais sensível.


       Para quem já jogou os títulos anteriores, sabe que etherane tem um jeito praticamente único de induzir acontecimentos. O desenvolvimento e argumento não são óbvios, mas também não te deixam desmotivados a continuar, pelo contrário. E isso é muito bom, considerando que muitos jogos pecam em criar uma atmosfera insana, mas que te anime para continuar. Porém, é justamente por não ser óbvio que você não pode fazer seu julgamento de forma precoce. Tudo que aparenta ser, pode não ser. Tudo que aconteceu na casa antes, pode acontecer de uma forma diferente. E tem muita coisa que você precisa parar e fazer 2 + 2 para entender.

       Talvez não seja uma boa ideia para quem gosta de receber as coisas de bandeja, mas se você está no terceiro volume, sabe que é assim que as coisas são. Como dito na sinopse, a autora queria passar uma “meta-experiência” de hostilidade ao jogador, é isto é demonstrado seja por conta desses contrastes desconcertantes, ou seja por conta da própria história, desesperadora e que esfrega em sua cara que você não pode fazer nada em prol de uma solução melhor. Deprimente.

       Apesar de usarmos os controles habituais do RPG Maker, Hello Charlotte apresenta uma variedade incrível de puzzles, desde o clássico pegar itens a desviar de coisas. E acredite, sair da mesmice da perseguição/coleta de itens em uma engine feito o RPG Maker é um feito e tanto, porque até eu esqueço que dá para fazer o tanto de coisas que foi apresentado em HC3.

       Mesmo a forma que você joga possui um diferencial: Caso tenha comprado pelo Steam, existe um sistema de conquistas. Não vou dizer como obtê-los, mas é mais um elemento que se comunica com o jogo, especialmente quebra de quarta parede.

       Vale a lembrança de que HC3 é dividido em duas partes: A parte 0, que acontece antes de Hello Charlotte 1, e apresenta todo o contexto para as situações do 3, além de apresentar alguns personagens novos que serão decisivos no final, e a parte 3 em si. Ou seja, duas linhas temporais com um monte de coisa entre eles, o que torna a compreensão rápida difícil.

       Falando sobre minha experiência pessoal com ele, por ser a cereja do bolo de tantas questões e ainda abordá-las de forma propositalmente hostil, mas respeitoso quanto à seriedade dos temas, eu me senti na pele dos personagens. É possível sentir a agonia e frustração de cada um, por este ser o mundo em que vivem. Lembra um pouco a situação de Kio's Adventure, o problema é que alguns estão cientes de que se trata de um entretenimento para nós ou que eles não vão estar lá para sempre e isso é terrível. Parafraseando a autora, Hello Charlotte é sobre deixar que as coisas aconteçam mesmo que não sejam boas, e seguir em frente com sua vida.

       Hello Charlotte tem uma atmosfera artística característica. Simples, mas dinâmico. É difícil  apontar alguma joia no âmbito audiovisual, porque tudo foi cuidadosamente trabalhado. Os personagens estão mais dinâmicos em termos de gestos de faceset, mapas praticamente produzidos à mão, de diversos temas possíveis: Até mesmo a Casa foi redesenhada neste propósito. Vamos da alta tecnologia ao simples desenho de pintura incompleta em questão de mapas, tédio é a última coisa que você sentirá, se estiver falando de visual.
        Oh? Sua praia é música? Sem problemas! A OST é maravilhosa. Diversa, do eletrônico aos instrumentos de corda. Etherane não economizou para usar desde um efeito 16-bits para comédia à gritos e sons de estáticas para momentos tensos. O jogo continua seu jogo de imprevisibilidade até mesmo de formas que normalmente são esquecidas pelos autores. A arte não complementa, é um protagonista tão forte quanto a narrativa.

       Por exemplo, um dos momentos de destaque dentro do enredo começa com uma música de elevador (não, literalmente é a música de elevador), como sinal de espera, depois te joga para uma propaganda feitas no melhor estilo “design gráfico é a minha paixão”, para culminar numa animada música e com personagens que se mexem, tudo isso para dar a impressão de que você está vendo um programa de TV. Mais uma vez, recursos simples e fácil de serem entendidos para quem conhece RPG Maker, mas que passa a mensagem com maestria (e um plot twist!).

       O jogo é uma obra de arte por justamente conseguir mostrar um estilo próprio, que mesmo que lembre um pouco Yume Nikki com a escolha de abordagem de temas e OFF pelo uso de poucas cores a maior parte do tempo, possui sua própria forma de unir narrativa e arte. Se você quer conferir um pouco da música, recomendo “Seeker”, “Ink Black Anxiety”, “Soap Addict” e “You Coma”.

 

       Hello Charlotte não é um jogo comum. É uma obra-prima. E não, não estou exagerando. Um pouco antes do Episódio 3 sair, eu tinha me esquecido como um RPG Maker podia ser divertido. Como podia ser envolvente. Como você poderia encontrar personagens que você realmente se conectasse. A série Hello Charlotte é tão bem trabalhada, que haverá alguma hora que seu coração não vai aguentar se manter impassivo com aquilo tudo. É uma experiência insana e nostálgica, é engraçada e triste, é feita de perdas amargas e ironias modernas.

       Só por um momento, eu quero que você se lembre do episódio 1. O que você esperava dele? Parecia só um RPG Maker de sátira (e era!) mas depois, se tornou um conto sobre falsos deuses tentando viver, sobre você querer o bem de uma mera marionete, e sobre como nem todas as histórias nasceram para ter um final feliz. Eu preciso te adiantar: Hello Charlotte é um jogo (in)justo com seu tema, não otimista. Depois que você terminar de fazer os dois finais, o jogo tranca e você nunca mais poderá fazer um "new game", um efeito similar a One-shot. Por isso, eu peço que se sinta com calma cada momento com eles. Pois será seu último.


Adeus, mundo. 
Adeus, Charlotte.|

  

Você pode comprar o episódio 3 pelo Steam
clique com o botão direito do mouse no jogo em sua Biblioteca, "Propriedades" e selecione "Português". 




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16 comentários:

  1. AAAAAA EU QUERO JOGAR!
    TRADUZAM SATSURIKO NO TENSHI PORFAVORZINHO?

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    1. Infelizmente, não podemos traduzir esse jogo por causa de tretas antigas da Playism (empresa responsável do jogo) com nossa tradução de Lieat e a Mei. E pra traduzirmos jogos pagos, a empresa precisa nos contratar :c

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  2. Alguma notícia da tradução do Sandman?
    Tô esperando ela sair do 99% há um tempão :(

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    1. Eu tb to a um tempão esperando. Eu acho q desde setembro do ano passado q ta em 99%.

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    2. Vamos postar sandman esse mês ainda (nessa semana ou na outra)... Só é meio chato vir em post de outra tradução cobrar de outras.

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    3. Eu entendi que seja chato, foi mal :/
      Mas tem algum lugar específico no site onde eu possa fazer perguntas?

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    4. Normalmente respondemos dúvidas no email "[email protected]"

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  3. Aê, finalmente!
    Muito obrigado por mais uma tradução maravilhosa Zero Corpse!

    P.S:Eu quero muito aprender essa dancinha lá do mais XD

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  4. Oh, muito obrigado por traduzirem XD, fazia tempo que eu tinha comprado esse jogo, mas não tinha jogado por não saber inglês.

    Realmente não tem qualquer possibilidade de poder jogar novamente se vc concluir os dois finais? Pois tenho um parente que também joga comigo quando ele está disponível, por isso eu jogo primeiro e espero ele não está mais ocupado para ele poder jogar comigo, aí fico preocupado com isso.

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    1. Infelizmente não... Recomendo salvar bem no começo do jogo e não colocar nenhum save por cima desse primeiro...

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    2. Obrigado <3, gosto muito do trabalho de vocês.

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  5. Ainda sonho com o 1% que falta no the sandman

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  6. MEU DEUS DESCULPA MAS EU AMO MUITO VOCÊS

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  7. Oh sinceramente eu não esperava que fosse sair tão rápido, obrigado pelo esforço de vocês da Zero Corpse é os demais.

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  8. Acabei de jogar e amei, passei virada a noite pra terminar, com certeza meu jogo favorito.
    FIquei doida querendo as conquistas kkk
    E vcs pretendem traduzir tbm a ultima spin-off que tem?

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