sábado, 4 de fevereiro de 2017

Saya no Uta

Nem sempre se encontra poesia na beleza...



ATENÇÃO: O jogo a seguir apresenta conteúdos que NÃO são recomendados para menores de 18 anos. Tenha isso em mente tanto ao ler esta postagem como vendo alguma gameplay.
Contém: Cenários grotescos, sexo explícito, canibalismo, assassinato a sangue frio, estupro.

       Saya no Uta (沙耶の唄/Canção de Saya) é uma Visual Novel de terror que contém elementos eróticos e lovecraftianos. Lançado em 2003 ― embora sua localização americana surgiu apenas dez anos mais tarde ―, seu roteiro foi feito por nada mais nada menos que Gen Urobuchi (Puella Magi Madoka Magika; Fate/Zero) e lançado pela Nitroplus (Steins;Gate), possuindo uma jogatina de aproximadamente 6 a 10 horas.

        O estudante de medicina Fuminori Sakisaka sofreu um acidente de carro gravíssimo onde perdeu seus pais e ele mesmo só se salvou após uma cirurgia delicada em seu cérebro. Entretanto, houve um efeito colateral horrível: Ele desenvolveu agnosia ― uma espécie de incapacidade do cérebro processar o ambiente externo, podendo por exemplo levar uma pessoa a não reconhecer familiares ― onde o mundo, as pessoas, sua percepção sensorial, tudo... Se tornou um mundo viscoso e grotesco.
 
Um dos cenários de Saya no Uta. Acostume-se: Do ponto de vista de Fuminori, são todos desse jeito.
       Eis que, ao ponto de se suicidar por não suportar viver em mundo assim, surge uma garota que parece intocada pela condição de Fuminori: Saya, que diz estar procurando por seu pai. A curiosidade de como tal criança é reconhecida de forma humana aos olhos dele, e a disposição para ajudá-la nessa missão, leva Fuminori a resistir um pouco sua doença e levá-la para morar em sua casa. Portanto, Saya no Uta abordará a relação desses dois, a conclusão ― ou não ― desse objetivo e ainda o outro lado da moeda: Os amigos de Fuminori (agora vistos como monstros horríveis de carne pura) estão preocupados com o as atitudes frias e grosseiras dele e querem fazer o possível para que sua reabilitação aconteça. Mas, no fundo, Fuminori sabe que isso talvez afete a forma como conhece Saya. E Saya havia se tornado seu mundo.


Análise: Roteiro

       Sem dúvidas, o ponto forte de Saya no Uta é seu roteiro. Eu tenho um pouco de dificuldade em acompanhar visual novels por conta da falta de interação e a quantidade de texto, mas Saya no Uta desde seu primeiro quadro de texto te prende. Mesmo que você chegue a ler diversas sinopses pela internet, ele possui seu “charme” para te envolver em alguns momentos chaves. O que eu não consigo engolir muito bem são as cenas de sexo. Digo, elas ganham seu sentido no final (embora eu ache que poderiam ser diminuídas) mas conforme você vai avançando na história... Bem, não é o tipo de título que eu recomendaria pelo erotismo. Não, não... Apenas não.

       Fora isso, não espere um final feliz em que tudo fica na paz. Saya no Uta demonstra com seriedade que, mesmo pelas meras duas escolhas que você tem a oportunidade de fazer durante todas essas horas de jogo, suas ações tem implicações pesadas. Mesmo o final menos danoso ― o primeiro ― chega a ser um pouco melancólico.

Personagens

       Sobre os personagens, são poucos, mas com suas funções bem delineadas. Um detalhe a ser discutido é que eu costumo dizer é que: Quando você se incomoda com alguma ação de um protagonista, é sinal de que ele está bem trabalhado se os argumentos do roteiro forem convincentes. E no caso de Fuminori, você começa achando que ele é um coitado sofrendo em seu próprio corpo, mas a trama avança e essa empatia vai morrendo a um ponto que você se pergunta “tinha necessidade disso, meu Deus?”.

       Todavia, se analisarmos todo o contexto de Saya no Uta, o desenvolvimento negativo dele faz sentido e até nossa perca de interesse sobre ele se torna previsto com as divisões de ponto de vista dos demais personagens sobre Fuminori. É a partir da relação dele com Saya e as demais pessoas que a trama se deita e torna cada reação natural. É óbvio, nós não vamos concordar com muitas coisas em Saya no Uta, mas seu argumento para tudo acontecer é válido e depois de uma análise mais fria, apenas deixa a obra bela e única.

Fuminori Sakisaka (匂坂 郁紀)

Estudante de Medicina, protagonista do jogo.

Depois de sobreviver à um terrível acidente de carro, sua vida se tornou um inferno de carne viva e sangue. Por conta disso, é bastante dependente de Saya e faz o possível para mantê-la perto de si.
                                                                     
Ryoko Tanbo (丹保 凉子)

Médica encarregada do caso de Fuminori.

Ela começa a suspeitar das atitudes de seu paciente conforme o jogo avança e é uma das personagens que mais tenta pôr bom senso nele.
                                       
Koji Tonoh (戸尾 耕司)

Amigo de Fuminori.

Era um dos mais dispostos a ajudá-lo a ter uma vida normal, mas as ações que são tomadas no jogo o leva a ser uma pessoa que te confronta diretamente.
                                                     
Yoh Tsukuba (津久葉 瑤)

Amiga de Fuminori.

Desde antes do acidente, ela era apaixonada pelo protagonista. Por isso, as atitudes frias dele a preocupavam ao ponto de tentar se declarar para ele, sendo recusada prontamente.
                                                                      
Saya (沙耶)

Criança achada por Fuminori.

Pouco é descoberto sobre ela no início além de que ela procura seu “pai”. Entretanto, conforme a trama avança, é visível que Saya tem um objetivo maior não só com Fuminori, mas com o mundo.

Análise: Artes gráficas

       Como é visto em exemplos durante este post,  Saya no Uta não apresenta nenhuma arte extremamente detalhada, mas dentro de sua época (2003) é um trabalho acima da média. O traço dos personagens costumam ser inconsistentes (Fuminori que o diga), mas por incrível que pareça, combinam com o cenário. E falando em cenário, é onde eu mais devo concentrar meus elogios, pois fazê-lo de forma tridimensional causou-me um desconforto. Chegava a ser sufocante o cenário horrendo, ao mesmo tempo que você se indagava com seria aquele lugar do ponto de vista de outro personagem e o sentimento de satisfação quando é revelado como era. Ou seja, se você ainda não foi pego pela história, o cenário é uma coisa das que te obriga a se sentar e prestar atenção no jogo.

Um exemplo de cenário que temos oportunidade de ver das duas formas (entretanto, a forma “limpa” só é visível na galeria).

 Análise: Sonoplastia

        Se você não ficou pelo roteiro, não ficou pelo cenário, as músicas te dão mais uma razão para ficar. Como citado na postagem d'O Poder de uma Atmosfera: Música (feito pelo redator Bell), a música é um dos aspectos mais sensíveis de um jogo. E no caso de Saya no Uta, é bastante singular. Ora com músicas calmas e com vocais misteriosos ou o uso de guitarras estridentes; ou ainda em duas faixas importantes a presença da cantora Itou Kanako, todas, do seu modo, ajudam a aperfeiçoar ainda mais a narrativa.

       De todas, destaco “Song of Saya I”. Ela aparece sempre em momentos que requer mais atenção do jogador-leitor e quase sempre quando você descobre mais sobre Saya. É uma música hipnotizante, que além dos instrumentos, também brinca com um ruído estático... Até que sobre apenas ele. Pode ser interpretado sobre como temos uma visão quase perfeita da garota, mas aos poucos a verdade vem à tona. Certamente ela repetirá em sua cabeça por algumas boas horas.

       Além disso, as falas dos personagens foram totalmente gravadas, o que ajuda na sensação de imersão. Também achei legal como todas as músicas começam com “S”, trazendo novamente a ideia que norteou o trailer.

Lista de Músicas
01. Schizophrenia
02. Sabbath
03. Seek
04. Spooky Scape
05. Song of Saya I
06. Song of Saya II
07. Sin
08. Sunset
09. Shapeshift
10. Scare Shadow
11. Scream
12. Savage
13. Silent Sorrow
14. Song of Saya (沙耶の唄 Saya no Uta) - Cantado por Itou Kanako
15. Shoes of Glass (ガラスのくつ Garasu no Kutsu) - Cantado por Itou Kanako

 Conclusão

       Saya no Uta é uma história que você não encontra todo dia, que explora com todos seus sentidos o quanto a humanidade pode ser tornar monstruosa com apenas um toque de anormalidade. O relacionamento bizarro entre Fuminori e Saya, que divide sua opinião durante toda a jogatina, os acontecimentos em si. Tudo prova que, ironicamente, Saya no Uta consegue ser um trabalho belíssimo e digno de uma olhada ― isto é, se seu estômago aguenta. 

(observação: O Patch foi feito para ser utilizado numa cópia legal do jogo. A Zero Corpse nem a Zero Force se responsabiliza por uso indevido do Patch).




- Neil

26 comentários:

  1. Eu joguei saya no uta assim que a zero force disponibilizou o patch, e nossa... foram dias estranhos kkkk
    Eu gostei muito da história, do jeito que ela é contada, mesmo tendo várias coisas que me deixaram com desconforto e com vontade de parar de jogar. Estava morrendo de vontade de chegar no final, descobrir o que aconteceria, e nossa... não sei dizer qual dos finais é o mais bizarro/difícil de lidar. Muita gente ama saya no uta, e depois de jogar eu entendi o porquê. Ele me fez pensar muito no modo que as pessoas veem o mundo, cada um do seu jeito, do modo que cada ser vivo vê a si próprio e aose outros. Você pode ser um monstro pra uma pessoa, e ser a salvação de outra. Coisas assim xD ele é bom, mas as cenas de sexo... queria apagar da minha memória kkkk
    Eu gostei muito do post, e nossa, estava pensando nesse jogo hoje mesmo. Você lê mentes Neil?

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    1. Eu vou deixar minhas habilidades sensoriais confidenciais -n

      E as cenas de sexo........................................................................ Como eu disse, elas tem sentido, mas quanto mais você avança no enredo, mais você quer apagar da mente, é.

      Mas que bom que gostou do jogo <3 Ele é bem... Excêntrico, mas tem sua beleza.

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  2. Hey vocês pretendem acabar a tradução de Corpse Party até julho?,Sei que é um jogo bem demoradinho e precisa de foco pra tradução dele mas só queria saber msm

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    1. Você fala do de PSP ou o Zero?

      No caso do de PSP, já explicamos que ele ainda é inviável para mexermos, então não há qualquer tipo de previsão.

      Sobre o -Zero-, Denius o pausou para focar em Ghost School e testar algumas coisas nele.

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  3. Opa! Estava com Saya no Uta na aba dos favoritos para jogar um dia (tenho muita visual novel para jogar scr) mas esse post me fez querer jogar ainda mais ><

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    1. Que bom que a postagem te despertou interesse no jogo ~ ♥

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  4. Foi a primeira visual novel que eu joguei na vida... E que história boa! Alem de todos os outros aspectos citados é claro. Só eu que prefiro o final ruim na escolha final?

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    1. Então. Para mim todos os sinais são válidos, mas geralmente eu considero o melhor final aquele que dá sentido à obra (por exemplo, eu considero a rota da Hinata em Yanderella canon porque é dela que vem o título, apesar de gostar muito da Honoka mas ainda por cima preferir mil vezes o final sem graça -q).

      Pessoalmente, eu tenho fraco pelo primeiro final. Sei lá, o clima foi tão melancólico e sensível que eu gostei. Incrivelmente, Saya no Uta me fez ir atrás de todos os finais.

      O "final ruim" é bem satisfatório quando você discorda fortemente onde o protagonista chegou. Embora eu ache que ceder o controle total da narrativa para outro personagem deu-me a sensação de algo faltando...

      É por isso que eu parabenizo o roteiro de Saya no Uta. Ele é doentio, mas de alguma forma, consegue ser lindo (?????).

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  5. Nossa! Sinceramente, acho que esse jogo não é pra mim, mas eu tenho uma perguntinha nada a ver e ficaria muito feliz se me respondessem:
    Já tem ideia de quando vão voltar com as lives?

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    1. Olá! As lives voltam esse mês, PROVAVELMENTE dia 12 até a presente data. ~

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  6. Hey! Adorei o post do jogo e pretendo jogar, mas tenho umas perguntas nada a ver com post que espero que possa me responder, tem o projeto de um jogo de Rpg chamado Omori: http://www.omori-game.com queria ver se vocês tem interesse em traduzir quando lançar,e também tem o rpg End Roll que saiu na Vgperson: http://www.vgperson.com/games/endroll.htm queria saber também se vocês pretendem traduzir no futuro?

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    1. Sobre Omori, ele é pago então não podemos traduzir, mas ele pode ser uma das premiações em nossos concursos/sorteios então sempre fique ligado em nossas redes sociais para detalhes ^^

      End Roll, pelo contrário, está na nossa lista de traduções sim, mas todos os tradutores estão ocupados com outros projetos então nem posso afirmar quem seria responsável por ele ou não.

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  7. Belo post! Fiquei muito interessado no jogo e fui atrás, e como n sou muito bom com inglês decidi usar o patch Pt_br. Eu sei que o patch foi criado pela Zero Force, mas teria como me darem uma força? Ta dando erro de leitura de alguns arquivos de img, som e voz quando vou extrai-los, estou seguindo o manual disponibilizado pelos mesmos mas empaquei nisso ;-;

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    1. Eu realmente não tenho como te ajudar, procure alguém da Zero Force...

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    2. Muito obrigado pelo retorno! :3 vou tentar falar com alguém da zero force. Continuem com o ótimo trabalho!

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  8. onde ta o link de download do jogo

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  9. nossa so eu lembrei de remember aki? kk

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  10. gente, cadê o botão de download??? n achei ;-;

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  11. Esse jogo me deu medo kk mais vamos nessa

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  12. Quando estava jogando esse jogo, me deu um puta asco... Eu ja sabia muito bem do que iria se tratar maaas, mesmo assim ainda não superei algumas cenas... ficava bem... " Não aconteça isso que to pensando plmdds... iiih... não" , o pior é que eu ainda não acabei!
    estou tomando aquela coragem básica.

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  13. Eu cheguei a jogar um pouco, não finalizei porque meu PC foi formatado e perdi o jogo.
    Tava muuuuuito bizarro e eu ficava cada vez mais impressionado com o desenrolar da historia (exceto as cenas de sexo.... desnecessários na minha opinião)
    vocês da zero corpse são demais...
    adorei esse post e seguindo com as visuais novels, eu tenho um pedido: Divi Dead porque foi o primeiro visual novel que eu joguei pra valer

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    1. Muito do jogo perde o sentido sem as cenas de sexo. Sei que algumas podiam ser removidas, mas não entendo o que as pessoas tem tanto com sexo.

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