quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Hello Charlotte (EP1 e EP2)

O que podemos fazer, Seth...?


       Hello Charlotte é um conjunto de dois jogos (EP1 e EP2) com histórias essencialmente diferentes, mas que se completam. Feitos no RPG Maker VXAce por etherane, o EP1, lançado em 2015, é gratuito e contém elementos de terror e paródia, com uma estética minimalista. O EP2 — de 2016 —, é pago e muito mais denso e trabalhado, mimetizando o estilo de uma visual novel e focado em ser um thriller psicológico.

         Com uma história envolvente e personagens carismáticos, junto de uma estética que lembra um pouco OFF e Yume Nikki, os dois jogos contam sobre Charlotte (a protagonista do jogo) e sua relação com o mundo que vive. O episódio 1 conta aspectos que darão uma introdução ao episódio 2, que é onde o enredo ganha sua força. Um episódio 3 que dará as respostas está em planejamento, mas ainda não há data prevista.

 EPISÓDIO 1
Junk Food, deuses e ursinhos de pelúcia ★

Meu mundo encontrou seu fim há muito tempo atrás.
A humanidade que conheci deixou de existir e desapareceu sem um único traço.
Os deuses em que acreditavam morreram, e igrejas foram construídas como seus túmulos.
O caos se tornou ordem, e finalmente se aquietou.
E tudo que posso fazer é sonhar, por estar tão, tão cansada.
Antes de abandonar as palavras que formam barulhos em minha cabeça,
Você faria a gentileza de se juntar a mim na observação de sonhos?



        Bem-vindo ao mundo de Charlotte! Você, Seth, é o marionetista dela. Sim, isso significa que você a controla ao longo da jogatina e ela tem consciência disso. Muitas vezes, os diálogos são direcionados à você, como se fosse um amigo a quem Charlotte literalmente confia sua vida. A duração do jogo é razoavelmente curta, passando rápido pela forma que este episódio apresenta as coisas de forma descompromissada. Com pais ausentes, a protagonista (que é apenas uma criança) divide a casa com alguns seres extraterrestres simpáticos e amáveis com ela, mas que não é explicado a razão de estarem lá. 

       Após um dia normal de se alimentar e cumprimentar todos, um desses aliens — chamado Huxley — pede para que Charlotte cuide do sobrinho dele chamado Felix e ela aceita. O que era para ser um mero acompanhamento toma grandes proporções quando Charlotte o perde em alguma dimensão (personagens com “X” no nome tem a capacidade de abrir portas dimensionais restritas) e se vê obrigada a achá-lo custe o que custar, lidando com ursos de pelúcias sanguinários e tendo o ápice do enredo quando Charlotte e Felix tem contato uma civilização a um fio da extinção. 

       Por se tratar de um episódio mais simples e surrealista, seus cenário são imprevisíveis (o próprio cenário do VXAce é usado em um momento) e há diversas formas de matar Charlotte facilmente durante o jogo. Também consta algumas piadas aqui e ali, tornando um jogo extremamente curioso de se jogar do início ao fim.


Personagens introduzidos no EP1

Charlotte

Sua marionete humana. Uma pessoa altruísta que confia muito em você, Seth. Por sua condição miserável, depende muito da ajuda dos seus amigos extraterrestres.

Aiden

Um extraterrestre que costura vestidos para Charlotte usar. Nutre muito carinho pela protagonista.


Huxley

Um cirurgião viciado no seu trabalho, que constantemente faz experimentos perigosos e com resultados grotescos. Tem um sobrinho chamado Felix e alguns assistentes.

Benett

Um dos assistentes de Huxley. Animado, gosta de assistir novelas até cair no sono.


Felix

Sobrinho de Huxley. Temperamental e mimado, põe Charlotte em um grande problema em por sua curiosidade. Tem uma relação indiferente com ela, embora às vezes demonstre se importar.

Umbrella man (Homem do guarda-chuva)

Uma espécie de observador, com poder de intervenção maior que você. Não se sabe o nome real dele, então Charlotte o apelidou de “Homem do guarda-chuva”.

 EPISÓDIO 2
☆ Requiem Aeternam Deo ☆

Dentro de um sonho, eu ri, e o mundo riu comigo.
Dentro de um sonho, eu esqueci, e o mundo esqueceu comigo.
Dentro de um sonho, eu sou o mundo.
Olá, mundo!
Olá, Charlotte!

    Bem-vindo ao mundo de Charlotte. Os acontecimentos do episódio 1 influenciaram alguns aspectos do episódio 2, mas como dito anteriormente, trata-se de algo novo e distinto, portanto abandone o que você conhecia até então. Agora, Charlotte é uma jovem em período escolar. Felix mal consegue olhar para você. Os assistentes de Huxley serão mais que NPCs com plaquinhas para diferenciar. E ela tem mais amigos: um oráculo, um deus perdido em seu próprio mundo, e alguns humanos da própria escola — que a amam do jeito que ela é. Ao menos, é tudo o que aparenta ser.

       Em Hello Charlotte EP2, o gênero se transforma bruscamente em um thriller psicológico, nos imergindo em questões complexas sobre a sociedade, religião, existência humana e empatia. Tudo isso atado a um estilo estético Memphis (pós-modernista) que transforma o jogo em algo único em diversas categorias. É preciso bastante atenção em algumas coisas e um cuidado especial aos detalhes, pois ao contrário de seu antecessor, onde tudo acaba bem apesar de tudo, o episódio 2 mata suas esperanças pouco a pouco e põe em cheque tudo — aliens, entidades... Até mesmo em você, Seth, que tem poder de influência diminuída, podendo apenas sentir pesar porque tudo é apenas um sonho de um mundo.

       É difícil comentar sem dar algum tipo de revelação de enredo ou estragar surpresas, mas saiba que vale cada parte do seu dinheiro. O desenvolvimento decadente, toda a correlação com a história da princesa de tinta e seus finais levando os personagens ao limite dramático, te obriga a questionar todas as suas decisões na vida até então e as implicações dela. Eu fiquei olhando para a parede tentando processar tudo e ainda sim, há muitas questões implícitas que provavelmente só serão respondidas no episódio 3.

  
Personagens introduzidos no EP2


Anri

Melhor amiga de Charlotte. Costumam se encontrar na escola e aparenta ser ansiosa e insegura.

C

Aluno transferido para a sala de Charlotte. Costuma sofrer bullying dos outros alunos, restando para a protagonista cuidá-lo e escutá-lo.


★★Download☆☆


EPISODE 1: Junk Food, Gods and Teddy Bears

EPISODE 2: Requiem Aeternam Deo (Steam) (itch.io)

★☆



※ Observações: 1) O episódio 1 é a demo nos dois sites. 2) No arquivo de detonado do episódio 1, há um erro. 4981 é a resposta certa.


★☆

★★Análise☆☆

Atenção: Esta análise contém spoilers massivos do jogo, uma vez que julgo necessário para abordar a obra em todas suas competências. Esteja avisado. 

       Sabe aquele ditado popular “eu não pedi por esses feels (sentimentos)”? É o meu resumo com Hello Charlotte. Eu deixei-o muito de lado por conta de seu estilo minimalista, achando que seria mais um jogo que até chama a atenção, mas nada acrescenta no mundo RPG maker. Porém, as artes (seu ponto forte) mostravam que meu nível de engano era estratosférico. Então, dei uma chance. E fui da ignorância para o fascínio.

       No episódio 1, por se tratar de um prólogo, os personagens são apresentados de forma breve, mas que brilham por seu carisma e o traço lindo de etherane. Você sequer imagina que os acontecimentos irão muito além daquela pequena casinha propositalmente minimalista. E que futuramente teria que lidar com diversas fases tão criativas que chega a impressionar a confissão da autora de não ter jogado Yume Nikki — o segundo jogo que mais me veio na cabeça de similaridade, depois de OFF.

       E se já não bastasse toda essa rica abordagem de mundo, encontramos os Phythias. Tratam-se de um outro tipo de extraterrestre, estes possuindo 3 a 4 olhos, cabelos e roupas similares (apenas variando se é preto ou branco). Eles estão no ápice da extinção, e o deus — ou melhor, oráculo — está morrendo junto. E eis um dos momentos mais marcantes do jogo: Charlotte resolve se tornar um novo “receptáculo” deste deus.


       Além do final verdadeiro em si, onde é dado o primeiro indício de uma coisas que irei comentar mais tarde no diálogo de Charlotte e o Homem do guarda-chuva, é dado uma ou outra dica de eventos do EP2, tornando-se uma experiência interessante rejogar o EP1 depois de todo o choque do EP2.

       E que choque. 

       Digamos que a razão de ter ido atrás de algum vídeo do episódio 2 fui porque senti que a autora, com seu desenho e história, podia fazer muito mais. E os primeiros 6 minutos de trailer confirmavam minhas suspeitas do episódio 2 era tão promissor quanto o 1. Mas novamente, o jogo extrapolou minhas expectativas.

       Hello Charlotte tem a estranha mania de começar abordando algo de forma leve, depois gradativamente ir crescendo, até que no ápice você está tão preso aos fatos que sequer pensa em critérios avaliativos, apenas quer saber que tipo de final aquilo vai dar. Porque tudo o que você pensa ser, pode não ser. Para começar a conversa, o oráculo que parecia compreensivo no EP1 revela-se um ser ríspido, que deseja ensinar a sabedoria de forma mais bruta e insensível. Muitas vezes você não sabe o que ele faz é por si ou por você e até o Homem do guarda-chuva nos alerta do perigo. 

       Mas também é o oráculo que te ajuda a dar avanços significativos de cena, literalmente quebrando a própria realidade de Charlotte ao ponto de fazê-la enxergar o mundo — consequentemente te fazendo enxergar junto — como ele realmente é: Cruel, triste, mentiroso e caótico, dando-lhe apenas como opções de finais coisas tão pesarosas e dramáticas que chega a ser deprimente não poder fazer nada.

        Uma dessas quebras me intriga. Não, esta não foi causada pelo oráculo, mas no julgamento (só O clímax do jogo) “sua melhor amiga” fala que todas as histórias que ela conta — eventos do EP1 e todos os extraterrestres — não passavam de uma mentira. Em outro final, Charlotte confessa para o Homem do guarda-chuva que existiu sim, coisas que ela inventou. Indo mais a fundo, no EP1 a conversa final é justamente ele recomendando-a tomar uma pílula, que logo depois fez todos sumir; esta mesma pílula é recusada por ela veementemente no EP2, por “não querer esquecê-los”, o bug da replicação dos moradores da casa antes do julgamento etc.

       A minha teoria é Charlotte era uma criança esquizofrênica, que infelizmente se envolveu com seres extraordinários reais por nossa culpa. Sim, o Homem do Guarda, no final verdadeiro, nos culpa por todos os problemas que Charlotte passou. E ela não entendia o que estava acontecendo consigo por ter naturalmente uma mente confusa. Mas agora que ela basicamente “matou” seu próprio mundo (a interpretação aqui de matar depende do final), olhamos tanto o EP1 e o EP2 de uma perspectiva do passado. Etherane respondeu a um fã que nós vemos Charlotte pela forma que ela quer ser vista — por isso o cabelo, roupas e pele alva, símbolo de pureza —, e o mesmo vale para C, que no início é branco como Charlotte, mas quando sua mentira vem à tona, ele está de cabelo castanho e olhos negros. E a mesma coisa com Anri, preta, significando todo mal que ela causou indiretamente na protagonista.

       Esta é a ponta do Iceberg de tudo que podemos abordar, e apenas me deixa curiosa sobre o episódio 3. Agora que não mais existiremos (cedemos nosso nome em prol de deixar Charlotte feliz), gostaria de saber que tipo de reviravolta as coisas terão, e como os personagens que criei um laço de empatia (PORQUE NINGUÉM MERECIA SOFRER ALI COITADOS) estarão quando dermos “Olá!” pela terceira vez. Isto é, se nos for permitido.

★☆


- Neil

26 comentários:

  1. Oh my god... Prendeu minha atenção só de ver as imagens. Bem esse post me deu motivos para ficar acordado até tarde... Obrigado -Neil <3

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    1. Nada. E de fato, o traço da etherane é um dos pontos mais fortes <3

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    1. Obrigada por resumir meu pensamento, anônimo. Vamos lá.

      Se for o pedaço da introdução, então eu acho que de nada, eu acho?

      Mas se estiver falando do jogo em si, sinto muito, mas esta é apenas uma recomendação minha. E tão pouco tenho permissão para traduzir, sou apenas uma redatora/administradora.

      Espero que não cometa esse equivoco em outras postagens e obrigada pelo comentário.

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  3. gostei muito do post e estou baixando o jogo, obrigado

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  4. oi eu baixei o jogo mas quando vou extrai vem aquela tela do winrar de erro e fala que o jogo esta com problema pode me dizer o que houve se souber e qual é o problema ?

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    1. Se for do próprio Winrar, recomendo rebaixar e desta vez com a opção de abrir logo o arquivo, pode ter sido no momento de download que corrompeu algo.

      Se for do jogo, talvez você precise do RTP.

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    1. Não há conteúdo explícito sexual, entretanto contém temas que podem deixar algumas pessoas desconfortáveis como bullying e gore.

      Se você é sensível a temas obscuros, então talvez seja um pouco.

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  6. o jogo e em portugues ? e que eu n baixei ainda

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  7. Cara, como eu amo essas sugestões da equipe ZC, todos os jogos são fodas!!!!

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    1. Obrigada, fico feliz de saber que nossas sugestões o agradam <3

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    2. Gostei muito do primeiro episódio, já terminei, agora comprei o segundo na Steam

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    3. Neil, eu joguei o ep 2, chorei rios, quero muito poder ajudar Charlotte, aguardo o ep 3, tomara que algo possa ser feito por essa pobre e confusa criança...

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  8. Eu baixei o ep 1, só que eu sou idiota o suficiente pra não passa de algumas partes e ter que olhar detonato e já são quase 6 da tarde e não zerei esse troço. Mas é um jogo muito legal, pelo menos está sendo, e quando eu descobrir o porque o garoto sumiu eu to achando que eu vou ficar com muita raiva....

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  9. O post do jogo me chamou e agr estou baixando o jogo
    maravilhoso e obg -Neil <3

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  10. Na moral, o felix parece o Cheryblod, marido da Doloz e pai da Lobco!

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  11. O traço dos desenhos me deu ainda mais motivação pra jogar :3

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  12. Eu vou instalar e já vou começar a jogar na hora

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