quarta-feira, 7 de outubro de 2026

The Endless Empty

"Você era a minha estrela."


Hallo.

Além de trazer traduções, eu gosto de trazer jogos que ainda não receberam a atenção necessária, muito porque eu acredito no potencial deles de serem admirados por outras pessoas e quem sabe, ser traduzido aqui! O título de hoje é um RPG Maker que joguei anos atrás por mero acaso, mas ainda sim me deixou um forte impacto. Esse título é The Endless Empty, de Erik Sheader (Sugary Sweet Machines). 


The Endless Empty (O vazio sem fim) é um jogo surrealista com mecânica de combate tematizado no pós morte, feito no VX Ace e lançado em 15 de outubro de 2018. Sua duração é uma média de 3~5 horas com múltiplos finais. Nele, somos uma pessoa que resolveu partir desse mundo, porém, o que resta de sua consciência ainda luta por sobrevivência dentro da sua mente. Cabe ao seu fragmento de vida e suas partes cerebrais procurar uma forma de sobreviver à morte eminente. O jogo não tem tradução para português, mas tem para chinês, russo, italiano e espanhol.


A primeira impressão de The Endless Empty, admito, pode não ser a melhor. Afinal, como já abordei em um vídeo, uma das questões chaves para gerarmos identificação com os personagens é o quanto reconhecemos feições humanas nelas. Mas aqui nenhum personagem é humano e sim um amontado de conceitos. Só que se você passa por essa estranheza inicial, encontrará uma história sensível, uma arte única (e fenomenal, diga-se de passagem) com muitos momentos genuinamente divertidos. 


A começar pelo protagonista. Começamos sem saber de nada sobre ele, mas não somente vamos descobrindo quem ele foi antes de tomar a decisão de morrer, como podemos moldá-lo durante a gameplay; sim, respondemos questões que interferem na forma que ele se mostra, até chegar em seu final específico. 

Os personagens do nosso time também tem características bem únicas, tornando cada interação bem significativa e com peso, mesmo que seja por exemplo aquele único diálogo enquanto está remanejando equipes e comprando itens.

Falando nisso, as batalhas não são difíceis se souber usar seus recursos. Nem é preciso tanto assim se preocupar em upar, também, tornando a experiência de gameplay quase fluída nas trocas entre interação/batalha. 

Pode ter um bug/glitch ou outro por ser o primeiro jogo do autor, então recomendo fazer múltiplos saves em caso de chegar em um softlock. 


Sobre a arte... Exceto o primeiro mundo (que ainda sim é bom, só não demonstra todo o potencial do jogo), é algo que não se vê todo dia. Colagem por si só não é uma arte muito utilizada para o meio do RPG Maker, e ver uma obra que usa isso como parte principal é fascinante. Todo o segundo mundo é digno de elogios, e juntando com a música original mais ambiente e tranquila, cria uma imersão de uma decadência surrealista que de alguma forma (?) entra em sintonia com o enredo, em termos estéticos. 

Fazendo mais um adendo aqui sobre a música: se você gosta de algo mais lo-fi, parecendo que veio da década de 80, ou de algum vídeo obscuro do youtube achado de madrugada, a playlist daqui é maravilhosa. Dando como exemplo aqui The Memory Viewer:

Acredito veementemente que apresentar essa história sem essa parte artística tiraria muito da narrativa, alterando muito o tom que ela quer passar. E por causa de que cada competência forma um conjunto muito bem unido, meio que infelizmente os momentos finais são muito abruptos. Quer dizer, depois da batalha final, temos nosso "encerramento", mas também uma parte extra que permite que a gente reveja NPCs dos outros mundos, até a gente poder "ir". Só que para um jogo tão profundo e bem polido, não sei o que levou a esse tipo de término. 

Não que seja exatamente ruim, só com um ritmo bem abrupto. Essa foi a única coisa que achei estranho, mas entendo que seja uma escolha artística devido a não ter mais o que abordar por ter cada ponto terminado. 

★ Sobre "A Chamber of Stars"

Em 2021, Erik lançou a continuação de The Endless Empty, a Chamber of Stars (Steam/Itch.io). Ele é pago e passamos do RPG Maker para o Unity, porque a premissa aqui é ser um jogo de ritmo. Eu ainda não joguei, então não posso dizer nada sobre. Mas todo dia que lembro do quão primoroso foi The Endless Empty eu fico com vontade de comprar o Chamber of Stars e continuar a jornada com os personagens que tanto criei apego, ou entender mais desse universo surrealista. 



The Endless Empty foi uma das surpresas mais agradáveis que tive nesses anos recentes. As escolhas que Erik fez podia facilmente gerar um jogo mediano e talvez alguns enxerguem-no assim por ser muito profundo e abstrato, mas houve carinho na confecção do jogo, na abordagem do enredo e até mesmo no pós, onde caso você queira pagar pelo jogo (seja no Itch.io ou Steam, que tipo... Em promoção é menos de cinco reais). Seu dinheiro pode ser doado para a Trevor Project, uma organização sem fins lucrativos que ajuda a prevenir o suicídio entre os grupos LGBT+. E dado toda a temática do jogo, é gesto muito significativo.   

Eu genuinamente quero ver The Endless Empty um dia traduzido para o português brasileiro, porque é um título que merece toda a atenção possível. Mas por hora, espero que consiga aproveitá-lo em inglês ou espanhol. 

Download ( Itch.io / RPG Maker.net )

🐈‍⬛👀 (Mais?)

- Neil

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